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Sapateado

  

 

O Sapateado é uma dança percussiva. Seus movimentos podem ser conduzidos tanto pela imagem estética da dança, quanto pelo som produzido pelos pés. Muito além da dança, nossos pés se tornam um instrumento musical. E para isso é necessário que seus praticantes conheçam profundamente as estruturas da música.

 

A primeira referência que temos é o ritmo. Intuitivamente, todos nós temos uma referência rítmica primordial que vem desde que estávamos no útero de nossa mãe: as batidas do coração. Parece tão simples, mas a maioria das pessoas acaba se esquecendo de que dentro do seu próprio peito pulsa um coração que nunca sai do compasso! Afinal, o coração é um dos órgãos mais importantes, um dos responsáveis por nos manter vivos, conduzindo o sangue por todo o corpo.

 

A relação que o ser humano tem com a música e a dança, imita este mesmo movimento do coração e a compreensão das estruturas musicais nos ajuda a resgatar o ritmo biológico natural da vida.

 

O desenvolvimento rítmico nas aulas de sapateado trabalha com o som e o silêncio. A pausa se torna tão importante quanto o som e, é esta a diferença que sensibiliza um dos principais sentidos humano: a audição.

 

 

O que seria do som, se não fosse o silêncio? 

 

Aprender a ouvir é um exercício que nos acompanha durante toda a vida. Aprendemos a classificar e identificar uma infinidade de sons, barulhos, ruídos e vozes. Aprendemos a dar atenção aos sons de alerta, como as sirenes e ao mesmo tempo, quando um ruído se torna inconveniente, aprendemos a ignorá-lo. Fica muito claro quando moramos na cidade e não percebemos mais o som dos carros, mas quando vamos dormir no sítio, nos incomodamos facilmente com a infinidade de sapos, grilos e corujas que se espalham pela noite a atrapalhar o nosso sono.

 

Muitos estudos já comprovaram que ouvir música estimula o raciocínio e, ainda, cria um ambiente mais harmonioso entre as pessoas. Ao ser aplicada com fundamentos terapêuticos, a música também pode melhorar a capacidade de comunicação, por ser considerada uma forma de linguagem não-verbal. Melhoramos assim o nosso relacionamento em grupo e a capacidade de estar em evidência diante do público em geral.

 

Quando expressamos a musicalidade com o nosso próprio corpo estamos exercitando e ampliando as possibilidades de percepção sonora, sensorial, coordenação motora, memorização, concentração e criatividade. Não existe uma idade certa para ampliar estas percepções. No decorrer de vários anos na prática do ensino do sapateado, já me deparei com várias crianças e adultos com dificuldades rítmicas. Alguns têm facilidade com o movimento, mas não compreendem o tempo da música. Outros sentem facilidade com a música, mas falta o equilíbrio necessário na ponta dos pés para executar determinados passos. Assim, cada pessoa tem um desafio particular em relação à dança.

 

Com o passar do tempo e a prática, as dificuldades vão se atenuando e as habilidades se multiplicam. As consciências corporais, espaciais, sensoriais e rítmicas se expandem gradativamente. Os resultados são tão notáveis que fazem até com que a pessoa ganhe mais autoconfiança naquilo que faz.